ROBERTO BARROS REIS (Tata Kinunga) [ Africano que recebeu esse nome por ter sido escravo da tradicional família baiana BARROS REIS] – Fundou o TERREIRO TUMBENSI por volta de 1850.
MARIA GENOVEVA DO BONFIM (MARIA NENEM) [ Mem’etu Tuenda Dia Nzambi ] – Nasceu em 1865 (RS) e faleceu em 1945 (BA), foi iniciada no TERREIRO TUMBENSI(matriz de importantes casas de angola da Bahia) por ROBERTO BARROS REIS (Tata Kinunga), passou a comandar esta casa à partir de 1909 ( após o falecimento do seu Tata Kimbanda Kinunga ). Acolheu FRANCELINA EVANGELISTA DOS SANTOS ( Mam’etu Dialumbidi – Dona Miúda) para ser iniciada em sua Inzo que após receber o cargo fundou o TERREIRO VIVA DEUS (Salvador-BA). Também recolheu LEOCÁCIA MARIA DOS SANTOS (Mam’etu Ujittú) que fundou o TERREIRO VIVA DEUS FILHO. O TUMBENSI deu origem a inúmeras casas dentre elas a INZO MATAMBA TUMBENSI NETO (Ilhéus-BA).
FALECEU COM APROXIMADAMENTE 65 ANOS DE SANTO
Linhagem
A senhora Maria Genoveva do Bonfim, Mam’etu Tuenda dya Nzambi (a
gaúcha que se consagrou como “mãe do Angola na Bahia” e fundadora da raiz dos terreiros que carregam o nome
Terreiro Tumbensi), apelidada por
Maria Neném, era filha de santo do
angolano Roberto Barros Reis - Taata Kimbanda Kinunga e também viria a ser a Mam’etu dya Nkisi dos senhores Manoel Rodrigues Nascimento (Kambambi) e
Manoel Ciriaco de Jesus (Lundyamungongo), irmãos fundadores, em 1919 – no município de
Santo Amaro da Purificação na
Bahia do
Terreiro Tumba Junsara. O senhor Manoel Ciriaco, Taata Lundyamungongo, foi o Taata kwa Nkisi de Carmelita Luciana Pinto. Esta, por sua vez, nascida
17 de Março de
1929, em Salvador, Bahia, é filha consangüínea dos senhores Apolinário Luciano de Souza e Arcanja das Virgens (filha de santo da Mam’etu
Maria Neném).
A senhora Carmelita, Nengwa Xagui, descendente de tal linhagem ancestral, desenha-se numa trajetória marcada por importantes revelações e delineada inteiramente pela presença dos Jinkisi. Numa visita à senhora
Maria Neném, a menina Carmelita soube que haveria uma
missa designada a
São Roque na casa de Manoel Ciriaco e desejou comparecer. Ao chegar, encontrou algumas
filhas-de-santo do senhor Ciriaco sentadas no
barracão, e também se sentou. Em seguida, ao ver dançar as filhas de santo, a menina espontaneamente repetiu o que via. No dia seguinte foi novamente à casa do senhor
Manoel Ciriaco, sua mãe Arcanja não sabia que a filha estava participando da cerimônia e no terceiro dia, ainda hoje afirma: “Não me lembro como passei da casa para o Barracão”.
Iniciação
Carmelita foi iniciada aos sete anos de idade num barco composto por 12 pessoas: 2 pessoas de
Kayala, 1 de
Dandalunda, 2 de
Nkosi, 1 de Gangazumba, 2 de Lemba, 2 de Bamburucema, 1 de
Kavungo, 1 pessoa de
Mutalambô, com a ressalva de que a filha de Gangazumba estava grávida de um menino que era de
Zazi, logo seu barco foi de 13 pessoas com a criança. Xagui foi a
dijína nome espiritual trazido por
Oxaguiã.
Nesse período, Xagui, que teve, na sua iniciação, ao lado do Tata Lundyamungongo, a presença da
Iyalorixá Mãe Bada de Oxalá (quem, da
Casa Branca do Engenho Velho, transferiu-se para o
Ilê Axé Opô Afonjá), entendia a religião como uma festa, pois, desde os sete anos, dançava o
xirê, quando havia festas, domingo, segunda e terça, na casa de seu pai Ciriaco, assim como na casa de sua mãe Arcanja.
Também trabalhava muito carregando água na fonte, o ferro era a vapor, punha as saias na goma, fazia
acarajé na pedra, ralava
milho e
feijão dentre outras atividades do terreiro. “Gostava muito de cantar e dançar, era a dona do pedaço”, lembra Xagui, mas não lhe passava, até então, pela cabeça a hipótese de vir a se tornar uma Nengwa Rya Nkisi. Ainda com dezenove anos e doze anos de iniciada, durante uma obrigação feita para a sua mãe Arcanja, o
Tat’etu Nzazi, ao receber uma
gamela entregou a ela como se lhe passasse uma responsabilidade. Ajoelhada aos pés de
Nzazi ela implorou-lhe para não assumir tal função: “Não, Senhor. Não se pode tirar a espada da mão do jogador”.
Após alguns anos, quando da morte de sua mãe Arcanja, feito o ritual de pós-morte, o nkisi Nzazi deixou, através de uma zeladora de Nkisi procurada pelo senhor Emetério (tata Kondiandembo) e pelo senhor Macofá, responsáveis pela efetivação do ritual, uma determinação expressa de que o Tumbancé deveria ser assumido por alguém da família que fosse filho do
Nkisi Lembá. Esta pessoa era Xagui. Ao receber a notícia de que iria, por herança, tornar-se a Nengwa kwa Nkisi do terreiro que fora de sua mãe, Xagui não conteve as lágrimas e o espanto: “(...) não sei como não morri. Eu tive uma crise de choro e dizia: não, pelo amor de Deus, Xangô... se tinha minha irmã, tinha outros, por que eu?”. A partir de então, iniciava-se uma outra etapa da vida de Xagui (agora Nengwa Xagui) marcada por muita dificuldade e por conquistas.
Numa festa no
Terreiro do Bate Folha (Manso Bandukenké, fundado em 1916, pelo senhor Manoel Bernardino da Paixão), num curto período após ter assumido o cargo de Mam’etu kwa Nkisi, um
Kavungo aproximou-se dela e lhe disse: “por que chora tanto? Pare de chorar e lamentar. Aceite o que está em suas mãos”.
Com 70 anos de iniciação e 30 de sacerdócio, a Nengwa Xagui já iniciou aproximadamente 40 filhos de santo sendo que o primeiro barco de filhos foi constituído por uma pessoa de
Kavungo, uma de
Bamburucema e uma de
Nzazi.
O senhor Emetério Filho (Tata Zinguê Lumbondo), do
Terreiro Tumba Junsara, declarou, acerca da Nengwa Xagui: “A primeira vez em que eu a vi no
Terreiro, ela, ao chegar, reverenciou uma foto de
Ciriaco no
barracão. Era uma fotografia, mas ela enxergou ali o seu
Tata de Nkisi. Muitos filhos ali presentes – por não a conhecerem – não entenderam. Então eu parei o cântico, pedi que ela escolhesse qualquer uma das cadeiras de
Ogã para se sentar e disse: gente, esta é a
Mam’etu Xagui. Ela é a pessoa mais velha hoje de todo o
Terreiro Tumba Junsara Vão lá e peçam a bênção” (Tata Zinguê)