domingo, 1 de maio de 2011

Romance " Filme"

Filme em destaque 

Quem não assistiu ainda, ASSISTA !!!!
Esse é um dos melhores filmes nacionais, assista  e volte para comentar .






Romance filme de Guel Arraes: Com Wagner Moura e Letícia Sabatella

•Os dois personagens principais do novo filme de Guel Arraes discutem todo o tempo sobre a herança deixada pelo século XII, com a estória de Tristão e Isolda. E não apenas discutem. Encenam, escrevem peças e filmes e vivem em suas vidas toda a carga dramática que envolve o amor e a paixão de acordo com tal herança. Esse é o mote que dispara a discussão que perpassa todo o filme: em que medida somos ou estamos escravizados a certas experiências do amor e do romantismo que naturalizamos como verdades e qual a possibilidade de, sem recusar essas imagens que nos acompanham durante séculos, produzir outras verdades, outras imagens e experiências do encontro amoroso. A bem da verdade, todos os personagens do filme discutem Tristão e Isolda, com pontos de vista diferentes, mas sempre com grande reverência. E esse é outro ponto de grande magia, pois ao fim de tudo não há quem não esteja imerso numa atmosfera de paixão, expectativa, intensidade, e tudo o mais que aprendemos a codificar como romance.
Então, o percurso de Ana e Afonso, atores que se apaixonam pelo romance Tristão e Isolda e também entre si se vê marcado por estes questionamentos e confrontos. Ambos seguem caminhos que os levam a desencontros e reencontros, mas em todos os momentos está em primeiro plano o amor-paixão e as várias tentativas de redimensiona-lo à luz da urgência em criar outros possíveis e superar impasses morais e éticos. O mais interessante é que o próprio enredo traz para o centro do debate os vários meios artísticos (teatro, televisão e cinema) pelos quais é possível se apropriar do problema colocado pelo romance, com cada diferença de estilo sendo mais uma peça a se encaixar no quebra-cabeça que vai se tornando o encontro de Ana e Afonso, especialmente quando Ana se vê arrebatada por outra paixão. E assim, num genial jogo de espelhos, Ana e Afonso não apenas interpretam os famosos personagens, mas tornam-se também estes mesmos personagens em suas vidas, arte e vida se misturando e se contaminando de maneira irreversível e permanente.
A esta altura o espectador já está irremediavelmente capturado. Apaixonado pelos caminhos que os personagens seguem e apaixonado pela própria paixão que lhe é suscitada por diálogos líricos e bem articulados e tomadas de cena que privilegiam captar em cada rosto e corpo a espontaneidade alegre (ou triste) do amor/ódio brotando e se expandindo.
O desafio que vai ocupar os modernos Tristão e Isolda (sim, de certo modo repetimos Tristão e Isolda, queiramos o não, esta é uma das mensagens do filme) será o de se haver – especialmente Afonso que se põe a escrever um roteiro adaptado para a tv – com as exigências estéticas de um produtor rigoroso e muito voltado para a audiência de seus programas. É aí que o roteiro mostra um grande fôlego, pois os embates entre Afonso e o produtor também fazem parte de uma experiência de paixão e amor: o amor/paixão pela arte, o encontro com o desconhecido que ela impõe, movimento respeitoso com a criação, seja ela no campo artístico estrito, seja na vida comum.
“Romance” opera com delicadeza a desconstrução do mito do amor-sofrimento tratando com bom humor e generosidade os conflitos que surgem ao longo da trama, sem apelar para os piegas e/ou dramáticos. Tem-se mesmo a impressão de que ao fundo somos convocados a dar uma grande risada, como, aliás, podemos fazer na última cena, acompanhando o destino que Ana e Afonso dão para a peça que encenaram no início de (sua) história. Uma boa risada como antídoto contra os males e doenças do amor. Porque não?
As interpretações de Wagner Moura (que extraordinário ator!) e Letícia Sabatella estão excelentes. Mas todo o elenco está ótimo, como por exemplo, José Wilker (o produtor estressado) e Andréia Beltrão (fazendo um tipo ao mesmo tempo hilário e eticamente suspeito). O roteiro, do próprio guel e de Jorge Furtado é delicioso, especialmente nas falas em off, críticas e humorísticas.
“Romance” é especialmente indicado para aqueles que acreditam que o cinema pode encantar e apaixonar e ainda fazer pensar. No caso, um pensamento embalado pelos sonhos e intensidades de Tristão e Isolda...
Site Oficial: www.romanceofilme.com.br

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pagodeesia - Desce Jega.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Música baiana


Olá,
Me desculpem por ficar tanto tempo longe , estou  com problemas  de conectividade... ptzs
Meu laptop hoje resolveu funcionar... ÊBA!!!!!!
E para comemorar  esta proeza resolvi compartilhar o texto abaixo com vcs.
Comentem!!!!!!!!!
Ficarei muito feliz com seu comentário.
Leia até o fim .

Beijão 
Antonia  


Música baiana, em Estado de imbecilidade

Pagode baiano usa expressões chulas, palavrões que são reproduzidos por crianças, adolescentes e jovens, e que empobrecem a cultura e reforçam a ideia de um Estado analfabeto.

Quando alguém pronuncia a palavra analfabetismo na Bahia, e se essa declaração parte de um acadêmico, branco ou da elite, parece se tratar de racismo, discriminação e ódio.

E quando dizem que a música baiana está cada dia pior, e que o pagode não passa de mais um sonoro palavrão multiplicado por milhares de incautos, ignaros e estúpidos, certamente repetiriam, trata-se de mais um a ver-nos como “sub raça”, desinformados e inconformados.

Pois é. E quando essa declaração parte de um pardo, de origem negra e indígena, e que cursou apenas o segundo grau? Aí, certamente dirão, trata-se de um oportunista, um comunicador frustrado ou de alguém que não conseguiu galgar os seus objetivos.

Pois bem, esse rodeio, meio despretensioso, mas importante, é para falar do grau de imbecilidade a que chegou a música baiana, principalmente ao pagode aqui produzido e consumido. Não falo do Axé, que apesar da mesmice, não usa palavrões nem ridiculariza a Bahia como Estado analfabeto.

Como estudei numa das escolas mais influentes da Bahia, principalmente nos anos 50 e 60, o Colégio Central, participei da coletânea poética em homenagem ao sesquicentenário da instituição, fiz teatro e poesia nas ruas de Salvador, pronunciar algumas palavras (ões) e gestos obscenos da música baiana é assinar embaixo aos que dizem da Bahia no Brasil afora, a de que é um povo mal educado, e que só gosta de balançar o bundalelê.

E vendo de perto, em algumas coberturas jornalísticas Bahia adentro, chego a interrogar-me quanto às minhas origens. E chego a duvidar que tivemos em nosso berço um Raul Seixas, um Castro Alves, um Wally Salomão, um Jorge Amado – que mesmo produzindo alguns palavrões, nunca foi um turpilóquio, e tantos outros que enalteceram e alguns que ainda enaltecem e fazem lembrar que tínhamos uma cultura.

Mas, quando vou ao Campo Grande, e ouço Caetano Veloso dizer que Xanddy é lindo e que ele é uma das novas expressões culturais da Bahia chego a duvidar que sou baiano de verdade, daquele que comeu tripa seca e farinha de rosca pra não morrer de fome. E acho Caetano uma das maiores expressões da música mundial, apesar de requentar vez ou outra alguma música que no passado foi considerada brega.

O saudosismo aflora e me remete à década de 1980. Lá, até 1985, os shows em Salvador, no projeto verão, no Centro de Convenções da Bahia, eram bastante disputados. No palco, Gil, Caetano, Milton, Beto Guedes, Barão Vermelho e tantos outros que arrastavam multidões. Na Barra, shows com Morais Moreira, Luis Caldas e Armandinho com A Cor do Som, encantavam e lotavam a praia.

Retorno ao meu trabalho de coberturas de eventos com música baiana, e lá, estampada em minha frente, uma multidão de 20, 30 mil pessoas numa avenida. As meninas, os meninos, dançam como se tivessem sido libertados naquele instante. Mais parece um balé de zumbis, daquele extraído dos filmes de terror das décadas de 70 e 80. Ou então em um orgasmo coletivo, algo do tipo promovido César ou qualquer outro Calígula da nossa imaginação.

E em uníssono, eles repetem as frases, os refrões e fazem todo o gestual obsceno para completar o enredo empobrecedor. E o vocalista da banda grita, berra e pede para que todos ecoem aos quatros cantos; “Aponte o corno aí, diga que é corno”. E todos riem, como num circo, mas deveriam chorar ao debruçar a cabeça no travesseiro.

A grande maioria desempregada, deseducada e pobre. Desiludida pela face cruel do ensino que lhes oferecem nas escolas públicas, entregam-se aos bailes horrendos como se fossem a última ópera da vida deles. E se entregam de corpo e alma à missão.

Os maiores patrocinadores da música baiana no interior são as prefeituras, que gastam somas vultosas em festas, micaretas, aniversários e inaugurações, contratando bandas que em nada enriquecem a cultura popular, em detrimento das tradições, das raízes de cada cidade e de sua história. E lá se vão tubos e mais tubos de dinheiro público pelo ralo.


E aí vão me perguntar o que tenho feito para mudar o que já está construído. Nada. Sinto-me impotente. Apesar de radialista de profissão, jornalista por paixão, não consigo convencer ninguém do contrário. A música baiana vai continuar tocando assim durante muito tempo. Mas um dia acaba. Lutar contra o mercado é muito difícil. É uma máquina de fazer dinheiro a qualquer custo. E ninguém está preocupado com a educação, com a cultura, com as tradições. A mídia baiana enaltece, enobrece, escancara esses palavrórios como deuses. Até que duas meninas aparecem decapitadas numa esquina qualquer. De quem é a culpa?


Vanderley Soares
radialista/jornalista DRT 5892
Editor do Jornal Gazeta dos Municípios/Alagoinhas-Ba






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